terça-feira, 8 de setembro de 2009

Buraco negro



Sou menina ainda, cheia de dúvidas, vaga das muitas experiências que essa vida há de trazer. Quero muito compreender as razões do acontecer, entendo que cada coisa tem seu tempo, mas por que por inúmeras vezes nos encontramos agarrados a pressa?

Esperar paciente pode ser o mais adequado em algumas situações do dia a dia, entretanto, existem momentos em que agir assim mais parece covardia, um agir que nada fala, nada faz ou questiona, ações em preto e branco que omitem a cor. Esperar cansa! Ainda mais com a forçada passividade esperada ao conduzir do processo.

Para que lugar viajou a coragem? A ação de busca pelo que pede o coração?

O medo ainda é vilão fala alto e tem uma voz forte, quer aparecer, se fazer presente a qualquer instante, quando entranhado nos frustra, explora, impede, escraviza. Encaminha-nos ao grandioso, ao grandioso e imenso buraco negro!

E é bem lá ao fundo onde a escuridão nos abraça que temos pressa, vozes se perdem ao gritar pela luz, mas ninguém escuta além de nós, ninguém vê. Quem percebeu que o medo era ilusão, para não fazer o que precisa ser feito, não conseguir enxergar a si próprio, nem ao outro? A vida está acesa, é luz que não se apaga, talvez nem após a vida, quem dirá durante ela.

sábado, 29 de agosto de 2009

Condores de arribação


E mesmo tropeçando nos muitos obstáculos, não saio da linha, continuo caminhando. Os sonhos vontades e pensamentos são tantos, agora parecem estáticos, vazios.
Sim, eu sinto! O vento me toca com seu frescor, assanha-me os cabelos sob o céu azul, ao som do mais harmonioso canto dos pássaros tão queridos.A paisagem que encanta procura se fazer perceber.

Percebo sim, o mundo é lindo e a vida pulsa, é inefável. Mas se acredito que o mundo cai e que as coisas da vida perdem a poesia, me aprisiono ainda mais nesse campo de concentração invisível que foi sendo construído internamente.

Então, livrar-me-ei já, como em um passe de  mágica.
Liberta dos sentimentos que torturam!
Vou viajar voar pela natureza sentindo toda a liberdade almejada.
Vou voar conhecer esse país, esse mundo onde habitam as maravilhas, como uma viajante plena, condores de arribação.

Imagem: Emerson R. Zamprogno

quinta-feira, 20 de agosto de 2009


Encaixotem os livres
Desinfectem os cantos
Estuprem as mulheres
Brutalizem os homens
Despedacem os fracos
Enfeitem a moda
Sodomizem as crianças
Escravizem os velhos
Fabriquem as armas
Destruam as casas
Façam render a guerra
Escolham os heróis
E queimem as bruxas
Deixa queimar...
E queimem as bruxas
Quem vai queimar?
Empurrem conselhos
Forneçam as drogas
Engulam a comida
Disfarcem bem a culpa
Protejam a igreja
Perdoem os pecados
Condenem os feitiços
Decidam quem vai morrer
Contaminem a escola
Violentem os virgens
Apprisionem os livros
Escrevam a história
E queimem as bruxas
Deixa queimar...
E queimem as bruxas
Quem vai queimar?
Quem ordena a execução
Não acende a fogueira
(Pai, rogai por nós)


A música trás uma retrospectiva histórica de manipulação social, as verdades eram escolhidas por quem detinha o poder, sendo assim, eles escreviam a história da humanidade de acordo com seus interesses individuais e mantinham a sociedade longe da política, ou seja , da liberdade. Havia um jogo de manipulação que visava única e exclusivamente a manutenção do poder e a submissão do povo.

O conhecimento científico era uma área restrita, e quem abrisse uma das portas restritas sem a devida permissão, provavelmente teria sua condenação. Era bem mais cômodo a sociedade viver passiva perante a tanta opressão.

A sociedade de hoje mudou bastante, mas algumas idéias tendem a permanecer entre nós, como as idéias-vírus, que como diz a escritora Daniela Auad, são idéias que apenas sofrem mutações, e ganham uma nova cara, uma nova roupagem. A informação do conhecimento manipulado e distorcido persiste em nos fazer de bobos e cegos ao tentar enxergar a realidade da vida, a Igreja Católica continua a ditar como deve ser o comportamento cristão, mas não com a credibilidade de séculos atrás. “Heróis” políticos continuam a aparecer, as mazelas sociais como a violência, discriminação, os preconceitos, a poluição ambiental, a destruição da vida .

Continuamos vivendo como “mortos-vivos “, mesmo conhecendo o que aconteceu nas gerações passadas. Está tudo errado! Nós não seremos mais executados se pensarmos diferente do que nos é imposto. Se pensarmos! Temos a liberdade bem pertinho, podemos ler os livros encaixotados, podemos amar em vez de destruir as casas ou nos tornarmos seres brutalizados, podemos participar de forma ativa da construção social. Construímos a sociedade, ela é o que somos! Por que não ser uma sociedade mais humana? Por que não viver dignamente amando e respeitando não só a si, mas também a quem nos cerca.

Quando eu era criança, ficava assustada assistindo aos jornais que trazem a violência, o terrorismo, morria de medo dos tsunames, mosquitos da dengue, assaltantes, serial killers, depois de assistir pensava em como fugir de tudo aquilo, o medo me rondava quando deitava para dormir e até tinha pesadelos, mas hoje eu entendo o que eu não entendia e tinha medo. Engraçado a culpa de tantas coisas ruins acontecerem ser nossa, direta ou indiretamente somos culpados da vida ser como ela é. E só reclamar de que vai adiantar? Temos escolha!


Quero uma vida bem vivida, quero viver, quero que vivam
Quero fazer vida, fazer a vida
Quero uma sociedade bonita
Uma sociedade que vive
Com um sorriso na vida.

Música: Cd Anacrônico, Queimem as bruxas, Pitty

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Eu e os bancos azuis

Eu vi o céu azul, senti como nunca o vento tocar-me o rosto, com a face inclinada a olhar o céu que me encantava vi passar um bando enorme de pássaros voando, momento raro entre os dias que avançam com tanta rapidez. O que havia presenciado fez com que involuntariamente me abrisse um sorriso feliz. Subi as escadas seguindo o caminho rotineiro de minhas tardes até os bancos azuis, lugar onde leio e observo o movimento das pessoas e da natureza, vez ou outra pássaros se aproximam e quando eu os olho voam fazendo cair lágrimas de chuva das folhas da árvore que sombreia os bancos azuis. Continuo a ler enquanto vultos um a um passam por mim, pela árvore, pelos pássaros, pelo azul do céu e dos bancos. As reações ao percorrerem o mesmo caminho que percorri sem dúvida são diferentes, assim como o caminhar pelas estradas da vida, uns caminham muito rápido, outros caminham devagar demais, eu digo que estou entre os dois, sentir uma dor rápida a ponto de pouco perceber e degustar lentamente o sabor do que é bom é o que procuro. Então estou de volta aos bancos azuis, e aos poucos vou me perdendo ou encontrando em meio as minhas sensações e pensamentos. Não preciso medir a velocidade da minha vida ainda, por enquanto sentir-me viva é o bastante.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Silencio

O pedaço mais doce e delicioso do fruto
O enchimento dos pulmões ao inspirar o perfume do desejo
Pensamentos mutantes
Focando um único ser
A canção que se quer ouvir
Jamais seria um silêncio incompreendido
Não há quem deseje um romance
Sem a outra metade a vista
Viajar para o fantástico até te encontrar
Encontro a mim
E aprendo a ouvir a voz do desejo
Estou te vendo, você pode me ver?
Silencio

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dois

Os olhares se cruzam, seu sorriso enfeitiça instantaneamente, o que tenho a fazer, sentir o arder de minhas bochechas envergonhadas e alegres por sua presença tão pertinho. Minhas pernas que tremiam, agora estão mais firmes, mas confesso que ainda caio em suspiros ao te ver. Aquele frio na barriga que vem sem querer e me desconserta faz-me rir, pois sei que você é a causa. Quando estamos longe te imagino e sinto seu perfume invadir meus pensamentos. Você vive em mim e tenho consciência da paixão que me faz sentir, paixão conectada a amor, ao jeito leve que me faz viver esse sentimento. Você me traz a paz e ao mesmo tempo explosão, consegue causar sensações sem fazer nenhum esforço, sem ao menos olhar ou tocar. Sei que sou amada e sei disso da melhor forma que se pode saber, sem precisar ouvir, somente sentir. Com estas palavras conto um pouco de mim, de nós, da paixão e do amor que é tudo o que nos move e nos deixa sem palavras para explicar ao certo o que acontece quando eles acontecem, o sentir fala mais alto e para entender é preciso se permitir viver estes encantos que a vida nos proporciona. Com você, eu vivo e realizo desejos que eu não conhecia, conheço o desconhecido e me apaixono a cada amanhecer, me apaixono pela vida, me apaixono por você meu amor.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Não quero cegar

Tenho tentado entender o sentido de felicidade, aquela que nos faz sentir com a alma viva, o espírito livre e a vontade de contagiar as pessoas ao redor, sem um compromisso preexistente, um estar feliz espontâneo que nos proporciona sensações atreladas a sentimentos nobres. Tentando entender a felicidade, percebi que ela não está limitada a um grupo, quando a enxergamos podemos torná-la parte fixa de nós mesmos, acredito que mesmo em momentos de alto estresse ela continua presa a nossa alma, é só a chamar e ela se fará presente. Entretanto temos que conviver com as falsas idéias de felicidade, com pessoas que a entendem como um momento apenas, com um emprego que lhe proporciona acúmulo financeiro, carros, cirurgias plásticas, a sensação de superioridade. Pessoas escravizadas pelo “ter” ficam cegas, parecem viver em um mundo isolado onde perdem aos poucos a sensibilidade que lhes resta, se privam de amar, amar o que fazem amar o que é bom de verdade. É bom reconhecer que se pode escolher viver a felicidade, não quero cegar, quero enxergar mais nitidamente a felicidade como parte de mim sempre.

domingo, 22 de março de 2009

Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo!
E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...
E não sou nada!...
Florbela Espanca

quarta-feira, 18 de março de 2009

Inspira

Sou uma aluna das palavras da vida
Sou aluna, pois vim depois e tenho anseio de saber
Com as palavras eu aprendo significados todos os dias
Com palavras eu sinto a vida em minhas mãos
Sinto que posso fazer uma realidade, mas também posso escolher ficção
Sinto o recomeço de uma história, a continuação
Vejo um entendimento histórico, uma conexão
Vejo o que passa despercebido, o que não queremos saber
Aprendo com os mestres, pessoas comuns, personagens
Aprendo a admirar o que era encoberto por meus pensamentos
Entendo que a vida é feita para ser intensa, pois é apenas um momento
Entendo que temos que plantar nossa semente hoje, para que amanhã a reguem
Hoje águo ideais alheios, os quais me inspiram, que são como oxigênio
Hoje esse oxigênio tem que ser usufruído por todos, boas inspirações devem ser involuntárias
Sementes boas existem para nos auxiliar durante o nosso momento
Sementes boas e más fazem à história
Saber se iremos optar por uma boa semente é intuitivo e moral
Saber se estaremos tomando atitudes corretas iremos saber quando o coletivo sentir o impacto de nossos atos
A felicidade nos procura todos os dias, é uma questão de escolha marcar um encontro com ela
A felicidade de acrescentar idéias positivas é possível para todos que se encontrarem
Encontrar o seu Eu feliz, encontrar as belezas que possui, a conscientização de quanto é um ser capaz
Encontrar as pessoas que nos rodeiam e perceber que elas são parte da nossa história
Entender que os bons costumes, aqueles vindos da alma não podem morrer
Entender que precisamos agir juntos para obter resultados, haver troca de experiências e compartilhar o momento que é a vida

sábado, 3 de novembro de 2007

Fanzine

Poema que eu fiz semana passada e pus no fanzine da escola:
Plataremos flores
Elas irão florescer
Nós iremos aprender
Iremos crescer
Depois que estiverem
No cume de sua beleza
Teremos construído
O amor
Todos os dias
aprenderemos.
Plantaremos as flores
E colheremos o amor
Em seu cume
Enquanto existirem as flores
Nosso amor crescerá.